Pesquisa traz procedimento para subsidiar Manufatura Sustentável a partir da ACV

Publicado dia 09/01/2017

Tese avalia como a fase de manufatura dos produtos pode influenciar nos impactos ambientais a montante e a jusante da produção industrial, e assim gerar soluções que possam reduzir tais impactos ainda na fase de fabricação dos produtos

Um estudo coordenado pelo pesquisador Diogo Aparecido Lopes Silva, atualmente professor doutor na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) de Sorocaba/SP, investigou o desenvolvimento e o teste de um procedimento metodológico de Manufatura Sustentável ou Green Manufacturing (GM), para a avaliação e o monitoramento ambiental de processos de manufatura. A tese intitulada “Gestão do ciclo de vida de produtos por meio da avaliação e o monitoramento ambiental de processos de manufatura”, foi defendida em Junho de 2016 pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos/SP. Teve orientação do professor doutor Aldo Roberto Ometto e co-orientação do professor doutor Eraldo Jannone da Silva.

Acesse a tese completa

A ACV foi utilizada como base para que se pudesse estimar como a fase de manufatura dos produtos pode influenciar nos impactos a montante (extração e beneficiamento de recursos) e a jusante (uso e pós-uso). Tal influência se dá pelo fato de que as características técnicas dos produtos (materiais, processos de fabricação e requisitos de desempenho tais como propriedades físico-mecânicas e químicas dos materiais), são definidas ainda na etapa de manufatura. Essas decisões fazem com que os produtos apresentem mais ou menos impactos potenciais na visão de ciclo de vida de produto. Desse modo, “o emprego isolado da Avaliação do Ciclo de Vida não resolve este tipo de impasse, logo, cruzei-a com o conceito e ferramentas da Manufatura Sustentável ou GM”, explica Diogo.

Com base em uma pesquisa bibliográfica em 333 artigos selecionados e analisados, diversas limitações foram identificadas, as quais serviram de base para o desenvolvimento da nova proposta. Foram realizados ainda dois estudos de caso para testar o procedimento de GM desenvolvido: 1) uma empresa fabricante de painéis de madeira aglomerada para uso na produção de móveis residenciais e comerciais; e 2) uma empresa produtora de válvulas para uso em motores de veículos automotivos.

O procedimento resultante é composto por 3 macroetapas: pré-avaliação, avaliação e monitoramento ambiental, e a pós-avaliação. Cada macroetapa é composta por etapas específicas. Ao todo foram desenvolvidas 10 etapas, compostas por atividades e ferramentas e técnicas específicas. “Foram utilizadas cinco diferentes diagramas, oito matrizes, 11 equações matemáticas, além do emprego de diferentes softwares ao longo de cada uma das 10 etapas de aplicação do procedimento. Entre tudo isso, a ACV foi a principal técnica empregada no escopo deste procedimento desenvolvido”, detalha.

Como resultado dos estudos de caso, três versões simplificadas foram também propostas a partir do procedimento de GM originalmente desenvolvido. Tais versões simplificadas se mostraram vantajosas, pois permitem uma melhor aplicabilidade do procedimento de GM no ambiente fabril, dependendo do objetivo e contexto da empresa interessada.

Entraves
O trabalho identifica barreiras gerenciais e técnicas para a adoção prática da GM pela indústria. “As barreiras gerenciais são que as empresas ainda pouco conhecem a GM e as que a conhecem, a tratam como se fosse um programa de P+L (produção mais limpa), o que é errado”, explica Diogo. Em sua tese, o pesquisador assinala que a GM visa a melhoria continua do ciclo de vida de um produto por meio de otimizações e alterações em processos de manufatura relevantes na indústria e também na visão de ciclo de vida de produto.

Diogo cita como barreiras técnicas a utilização inadequada da ACV, sendo solucionada pelo procedimento metodológico desenvolvido na tese, em que a ACV é implementada juntamente com outras ferramentas e técnicas. O pesquisador cita ainda a importância de haver bancos de dados adequados ao contexto brasileiro. “Se a ACV é o cerne do procedimento metodológico que propus na minha tese, por consequência, para a realização de estudos de GM adequados ao contexto brasileiro, será necessário o emprego de bancos de dados referentes ao contexto nacional, o que ainda é escasso, especialmente ao se tratar de bancos de dados para processos de manufatura”, conclui.

 

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