INT DESENVOLVE TECNOLOGIA PARA PRODUZIR VIDRO A PARTIR DE RESÍDUOS DE ROCHAS
Resíduos de rochas ornamentais, como mármore e granito – oriundos da serragem que transforma blocos de pedra em chapas – têm um novo destino: a fabricação de vidro. Graças à inovação tecnológica desenvolvida no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), o problema ambiental causado pelo pó fino das serrarias poderá ser minimizado, ao mesmo tempo em que se gera uma nova fonte de matéria prima para a indústria do vidro.
Os testes e pesquisas foram desenvolvidos pela física Michelle Babisk – aluna de mestrado em Ciência dos Materiais do Instituto Militar de Engenharia (IME) –, que realiza o trabalho no Laboratório de Tecnologia de Pós do INT, sob orientação do tecnologista José Carlos da Rocha. A pesquisa teve como objeto os resíduos gerados pela indústria de rochas ornamentais do estado do Espírito Santo, que é hoje responsável pela metade da produção brasileira deste tipo de material.
A transformação de resíduos de granito e mármore em vidro é viabilizada pela presença de óxidos, como a sílica, que são matérias-primas utilizadas em larga escala na produção de vidros sodo-cálcicos. Junto aos resíduos das rochas – coletados em Cachoeiro do Itapemirim, na região Sul do Espírito Santo, onde estão mais de 60% dos empreendimentos do estado – são misturados areia e carbonato de cálcio e sódio em quantidades controladas para que a composição se aproxime ao máximo das características do vidro comercial.
Com a utilização destes resíduos, há uma considerável diminuição dos impactos ambientais na região, já que antes eles eram descartados no solo. Por outro lado, o uso do material reduz o consumo de areia, minimizando outro problema sério: a extração excessiva desse recurso. Um terceiro benefício ambiental é a utilização também dos óxidos ferrosos despejados no solo através das limalhas de ferro ou aço que são jateadas contra a rocha no processo de corte. O material é incorporado à composição do vidro como corante, garantindo a produção de vidros verdes, que têm um mercado bastante específico.
A pesquisa de Michelle Babisk produziu no INT quatro tipos de vidro, sendo testadas suas condições de impermeabilidade, passagem de luz, entre outras propriedades. Com resultados bem sucedidos no controle de qualidade do produto, a produção de vidro a partir de resíduos de rochas ornamentais está sendo patenteada e será apresentada no Rio de Janeiro entre os dias 20 a 25 de setembro, durante a 11ª Conferência Internacional de Materiais Avançados (ICAM). Organizado pela International Union of Material Research Societies (IUMRS), o evento – já sediado por países como China, Japão e México – é realizado em anos alternados e tem como objetivo apresentar novas tecnologias relacionadas à área da Ciência dos Materiais.
No próximo mês, Michelle Babisk finaliza seu mestrado com os resultados do trabalho realizado no INT, que terá como título Desenvolvimento de vidro sodo-cálcicos a partir de resíduos de rochas ornamentais. O objetivo final do desenvolvimento desse processo - afirma a pesquisadora - é a transferência da tecnologia para as indústrias.
A área de Processamento e Caracterização de Materiais do INT já vem transformando resíduo de rochas ornamentais em matéria-prima para a indústria há algum tempo. O primeiro trabalho concretizado nesta linha foi o aproveitamento do pó fino das serrarias do município fluminense de Santo Antonio de Pádua na produção de argamassas, tecnologia já transferida para a empresa Argamil e gerando royalties para os pesquisadores do INT e do Centro de Tecnologias Minerais (Cetem), parceiros na inovação. O inventor do INT, José Carlos da Rocha, desenvolveu ainda outro processo para aproveitamento também dos resíduos grossos da serragem: a produção de rochas artificiais.
Fonte: INT desenvolve tecnologia para produzir vidro a partir de resíduos de rochas. Disponível em: http://www.int.gov.br/Novo/INTegracao/integracao_63_rochas-artificiais.html. Acesso em: 24 de julho 2009.